Honda Civic Si Coupé 2016, ficha técnica e preço

Honda Civic Si Coupé 2016, ficha técnica e preço
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Se você, ao trancar o seu automóvel, virar o pescoço para trás para dar aquela última namoradinha com os olhos antes de ir embora, você escolheu o carro certo, diz um ditado popular entre os entusiastas. Bem, o problema com o Civic Si é que ninguém ia embora. As pessoas, o que nos inclui-se aglomeravam em volta dele, mãos no queixo, acenos de aprovação com a cabeça. A silhueta, o fluxo da linha de teto, os vincos, a asa traseira, a agressividade da dianteira. Em termos de design externo, uma unanimidade: a Honda matou a pau.

Mas não era no estacionamento que ele teria de nos convencer. A Estrada dos Romeiros é jogo duro e escancara quase todo vício e desequilíbrio dinâmico que um carro possa apresentar. Se é verdade que o Civic Si carrega consigo a tradição de excelência dinâmica, também sabemos que esta nova geração ficou um pouco mais madura ou, em outras palavras, com personalidade mais amena: o motor 2.4 K24 ficou com curva de torque menos dramática e mais plana e generosa, ajudando nas saídas de curva – agora ele gera 23,9 mkgf a 4.440 rpm, em vez dos 19,2 kgfm a 6.100 rpm do antigo 2.0 –, além de gerar 14 cv extras: 206 cv a 7.000 rpm, com corte de giro a musicais 7.500 rpm.

Além disso, o ajuste de suspensão ficou mais macio, a Honda elevou o conjunto em 15 mm para o Brasil e o veículo é 32 kg mais pesado que o de geração anterior. Para a serpente de asfalto dos Romeiros, confessamos, seus 4,55 m de comprimento e 2,62 m de entre-eixos pareciam severamente desvantajosos em relação aos rivais que trouxemos. Parecia um jogador de basquete no meio de jóqueis. Será que o japa daria conta?

A desconfiança foi estraçalhada logo ao atacarmos a primeira curva. “Apesar de ser o maior, ele entra nas curvas com a facilidade dos hatches”, elogiou Messeder. “Você só precisa de dez segundos para gostar dele”, cravou Júlio. “É o carro mais fácil de ser guiado rápido, o mais recompensador. Senta a bunda e acelera… ao contrário do Abarth, por exemplo, você não precisa se adequar aos “mas” do carro. Tudo nele parece estar a serviço do piloto”, afirmou Juliano Barata. “E tem a melhor direção: rápida, comunicativa, volantinho pequeno…” completou Daniel.

Basta parar para pensar: a Estrada dos Romeiros tem muito em comum com as estradas sinuosas do Japão. A falta de espaço e a necessidade de contornar a geografia montanhosa e cheia de rios da ilha estimularam disputas ilegais de Touge e de Drift e foram os grandes campos de prova de desenvolvimento dos esportivos japoneses – o que também explica a obsessão deles por Nürburgring Nordschleife. Sim, este Civic Si é feito no Canadá, mas o seu sangue sempre será japonês.

Ele deu um baile dinâmico, oferecendo a experiência mais intensa e, ao mesmo tempo, a mais controlável. Os pneus Continental ContiSportContact5 225/40 R18 caíram como uma luva ao ajuste de suspensão do nipo-canadense, oferecendo muita aderência e ampla margem de aviso.

Outra tradição oriental e que ficou escancarada neste comparativo é a paixão por motores aspirados giradores: a experiência do berro musical a mais de 7.000 rpm – seja do Swift Sport ou do Civic Si – é algo que a frieza das fichas técnicas não conseguem explicar. “O ronco eletrizante joga a experiência para outro nível – e o shift light em seis estágios fica na visão periférica, ajuda bastante na pilotagem”, elogiou Barata. Outra vantagem dinâmica difícil de ser quantificada: podendo trabalhar de giro cheio a todo instante, o freio motor e a resistência do conjunto de transmissão deixam a dianteira muito mais obediente e fácil de apontar nas curvas que nos turbinados.

Além, é claro, de você realizar menos trocas de marcha, especialmente nas curtas retas que separam as curvas do nosso Touge. Falando nisso, não existe conjunto melhor ajustado neste comparativo. “O câmbio dele é maravilhoso, rápido e certeiro, justinho”, afirmou Messeder, completado na sequência por Juliano: “E a embreagem tem peso ótimo, fora que a posição dos pedais está 100% perfeita para o punta-tacco. Tudo sai natural, rápido e fácil”.

No fim das contas, o Civic Si escancarou algo que as fichas técnicas e aferições em pista de teste acabam esfumaçando: se a performance é uma exigência que precisa ser cumprida, a experiência ao volante, por outro lado, é a razão de ser de um esportivo. Os números permitem a conclusão óbvia de que ele não é a melhor carta de Super Trunfo do baralho, mas o mundo real se mostrou bem diferente: em poucas horas, o Si se tornou o objeto mais disputado do comparativo. Todos queriam estar ao volante do coupé, ainda que seus números de teste estivessem mais para o Citroën DS3 do que para o imbatível Mini Cooper S.

E em relação ao antecessor Civic Si sedã? “Há muita discussão se ele é melhor ou não que o antigo, mas na prática o cupê se mostrou um carro de experiência quase perfeita”, cravou Daniel. “Ele é firme sem ser duro, sem as batidas secas do Si anterior. Mas a suspensão elevada em 15 mm foi desnecessária considerando ser um carro tão de nicho”, contrabalanceou Barata. De fato, todos estranharam a altura do Honda: não precisava.

Passando disso para as coisas que ele precisava: o Civic Si, embora seja um projeto apaixonante, expõe as limitações dos motores aspirados em relação aos downsizeds turbinados: torque em baixa. Graças a isso, a cada saída de curva o Mini Cooper S se afastava um pouco mais. E o bolso… “Não parece valer R$ 120 mil: o interior tem algumas simplicidades e a lista de equipamentos é fraca”, criticou Alexandre Ciszewski. De fato, não haver GPS, sensores de estacionamento ou ar condicionado dual zone (embora seja digital) são pecados meio pesados. E embora o painel tenha uma arquitetura bacana, os plásticos ainda são um pouco duros.

Com tudo isso, o Civic Si mistura muitos sentimentos. Se todos brigavam para assumir o seu volante, no momento em que a conversa migrava para o bolso, todos foram unânimes: caro demais – especialmente quando confrontado com a melhor relação custo-benefício da reportagem, o Citroën DS3. Mas, para deixar a coisa mais confusa, outra unanimidade: com dinheiro sobrando, ninguém abriria mão do Honda. É um péssimo negócio… “mas que belo péssimo negócio”, cravou Barata, entre risos de todos.

Consumo:

Cidade: 9,0 km/l

Estrada: 13,6 km/l

Preço:

R$ 119.900

Ficha técnica:

Motor:
2.4 16V turbo
206 cv a 7.000 rpm
23,9 mkgf a 4.400 rpm

Transmissão:
Manual
6 marchas
Tração dianteira

Suspensão:
Frente: McPherson
Traseiro: multibraços

Dimensões:
Comprimento: 4.55 m
Entre-eixos: 2.62 m
Largura: 1.75 m
Altura: 1.41 m
Peso: 1.359 kg

civic